“Bem, amado Exu Caveira, este é um assunto por demais delicado. O Exu que o acompanha foi preso, recentemente, em um domínio negativo porque não recebia dele o que necessitava para o trabalho. Este meu menino assentou sempre sua Senhora Pombagira e deixava seu Exu de lado. Assim, em um embate, o Senhor Exu que o acompanha acabou sendo preso. E esta é também uma ajuda que venho pedir ao senhor, que me ajude a libertar este Guardião.”
Livro: O Anfitrião do Campo Santo
Cap: O Encaminhamento e um Novo Desafio
Autor: André Cozta por Seu Exu Caveira
Editora Madras
Você tem cuidado do Guardião/Guardiã que te acompanha com a devida atenção?
Nossa primeira reflexão é em torno da passagem acima do autor umbandista André Cozta em conjunto com Senhor Exu Caveira, em um diálogo com o Preto Velho Senhor Pai José das Almas.
Para o médium umbandista é de fundamental importância refletir sobre a passagem e se questionar acerca do quem tem feito para auxiliar seus Guardiões/Guardiãs à esquerda.
Acreditamos que para o trabalhador umbandista já experimentado talvez seja uma constante a observância da realização de procedimentos semanais para assentar seus protetores à esquerda. Porém, para o médium iniciante é um conselho valioso a ser incorporado em sua vivência com a espiritualidade.
Pela literatura umbandista, sabemos que Exu é um trabalhador (executor) da Lei com outorga para entrar em domínios do astral negativo para realizar inúmeras atividades e muitas das quais são casos extremamente complexos, a grosso modo, poderíamos chamar de “acertos de contas”. Acertos esses que remontam a um passado recente ou distante. Pelo livro, temos ciência de um caso que remonta à época do Antigo Egito.
Tais exposições a certas regiões trevosas demandam um desgaste energético muito grande. Por mais que os Senhores Exus e Senhoras Pombagiras detenham conhecimentos magísticos dos Mistérios que acompanham seus nomes e possam se defender das investidas do baixo astral, em certas situações, acreditamos que o médium umbandista diante de tal assertiva precisa se resguardar a si a aos seus protetores com assentamentos para tais entidades.
Questionamentos que surgem: com que frequência devemos fazer tais assentamentos? Semanal? Mensal? Será que uma vela de sete dias (bicolor vermelha-preta para Exu, vermelha para Pombagira) para cada entidade é o suficiente? Ou temos que usar outros elementos apropriados para Exu/Pombagira?
Confesso que não tenho as respostas de imediato e que vai requerer mais investigações nesta caminhada de estudos umbandistas para algumas prováveis respostas. Porém, deixo como formar de provocar no leitor uma reflexão e compartilhar também seus pensamentos e experiências.
Particularmente, eu que estou iniciando atividades na Umbanda, este trecho do livro me fez atentar para esta prática que até o momento eu não havia realizado. Já tenho o hábito de acender uma vela de sete dias para Oxalá, Xangô e Iansã; em meu íntimo, talvez por intuição, já havia um desejo de fazer o mesmo para os guias da esquerda. Após esta passagem, ficou demonstrado que devemos ter a mesma atenção para os nossos Guardiões/Guardiãs da esquerda assim como temos com os da direita.
Por fim, deixamos para meditação outro questionamento provocado: Será que o médium umbandista tem ciência quando um protetor seu é preso seja em domínios negativos ou prisões conscienciais?
Compartilhe sua opinião.